O dilema do próximo filme: expressão pessoal vs audiovisual independente

BALNEÁRIO CAMBORIÚ, 18 DE MARÇO DE 26. QUARTA-FEIRA: Peguei meu ARRBOOK para anotar sobre o próximo filme a produzir mas, está muito calor na cidade praiana de Santa Catarina. A tinta da minha caneta tinteiro está mais líquida do que o normal. Acabei de manchar minha mão e limpar na página ao lado.

O fim de um ciclo e o vazio seguinte

Após finalizar um projeto de criação como o documentário Vinícius Atleta – Quando o Corpo Decide, que foi não somente uma edição trabalhosa, mas também o encerramento de um ciclo pessoal, resultado de um ano de autoconhecimento vagando pelo Sul do Brasil, o problema automaticamente se torna: qual a próxima história?

O dilema entre o que contar no filme e o que vender

Já falei sobre este dilema aqui no blog. É uma dicotomia entre o que eu quero contar versus o que você gostaria de assistir.

É assim que a arte funciona em uma economia de livre iniciativa. Eu quero me expressar, mas preciso do seu dinheiro. Você quer se entreter, se informar. Por isso, procura por um bom produto cultural para consumir.

É um alinhamento planetário dos mais complexos. Cada um tem seu mundo. Eu, você, quem convive com você, quem convive comigo.

Todos temos nossos próprios desejos e vontades.

Eu faço audiovisual porque é o que sou. É o que me faz levantar da cama. É o que não me permite ser um vegetal parado fazendo fotossíntese.

Aí entra um segundo dilema da arte. Eu ainda não sei o que quero contar. E muito menos você sabe o que espera de mim.

Só teremos certeza quando eu lançar o próximo filme na BIG LAGO. E, se não acertar, paciência. Seguir para o próximo.

Experiências diferentes, mesma obra

A experiência que um filme meu pode proporcionar para cada um de nós é distinta. Para você, pode ser sensorial. Angústia, alegria, tristeza, empolgação, terror. (Inclusive, estou pensando em fazer um slasher.)

Já a minha experiência é outra.

É realização. É finalmente colocar para fora o que sinto da forma mais satisfatória possível.

Eu produzo porque eu gosto.

Você assiste porque ficou bom.

A nascente e o rio

O fato é que, neste ecossistema líquido da nossa sociedade, eu sou uma nascente do que pode se tornar um grande rio.

Auxiliado por você.

Um grande fluxo das nossas convivências. Quanto maior for nossa resiliência, maior e mais poderoso será esse rio.

Porque é de gota em gota que o lago fica BIG.