O primeiro teste real de distribuição
BALNEÁRIO CAMBORIÚ, 17 DE MARÇO. TERÇA-FEIRA: Finalizei o documentário Vinícius Atleta – Quando o Corpo Decide. Isso significa que pude colocar à prova, pela primeira vez, minha estratégia de distribuição de filmes.

A origem do Prosa Fora
Para explicar melhor, preciso voltar ao início do Prosa Fora. O projeto nasce de uma necessidade: documentar, na internet, a história de um amigo chef de cozinha.
E, assim como ele, outras pessoas da minha região tinham histórias interessantes para contar e que estavam fora da internet, ausentes desse novo formato de fixação midiática do século XXI.
Então, o que antes era um simples vídeo de conversa para criar autoridade na internet se torna um ambicioso projeto documental.
O formato MesaCast como ponto de partida
Na época, estava em alta o formato de MesaCast, perfeito para um documentarista com zero renda. Exatamente por isso o Prosa Fora assume esse formato inicialmente.
Ainda assim, sempre o tratei como uma websérie documental, mesmo tendo que me curvar às exigências de conteúdo de plataformas abertas como o YouTube.




Crescimento sem sustentabilidade
O projeto ganhou projeção relevante para mim. Eu ganhava seguidores constantemente nas redes sociais e no YouTube. Porém, não era nem um pouco rentável e não havia perspectiva de ser.
O modelo de MesaCast depende muito de convidados já relevantes no ambiente da internet. Caso contrário, as 30 horas de trabalho semanais para entregar um único episódio não são recompensadas.
Além disso, havia toda a dificuldade de bastidores. Eu tinha apenas uma câmera, já defasada para a época. Conseguia uma segunda emprestada, mas nem sempre era o mesmo modelo.
Eram câmeras fotográficas, com limitação de gravação de 20 minutos. Por isso, eu precisava interromper raciocínios para reiniciar a gravação nas duas câmeras.
Amigos ajudavam ocasionalmente, mas isso era raro.
Tudo isso, somado à dependência de uma plataforma que pode mudar as regras do jogo do dia para a noite (quebrando todo o seu modelo de negócio) tornou o processo frustrante.
O projeto perdeu força. Minha energia e empolgação se esvaziaram.
A lógica econômica do conteúdo de nicho
Histórias de nicho tendem a ser consumidas por nichos. E, como já disse, toda narrativa tem seu público (a questão é se esse público está disposto a pagar a conta).
O YouTube é volume. É preciso que muitas pessoas assistam ao seu conteúdo para que os anúncios gerem retorno. Da mesma forma, grandes números atraem patrocinadores.
Conteúdos de baixo volume de consumo têm, essencialmente, um único caminho: o acesso pago.
O surgimento da BIG LAGO

Por esse e outros motivos, começo a desenvolver o projeto da BIG LAGO: o grande rio (streaming) de nascentes culturais.
Quando comecei a estudar, fiz algumas contas simples. Com uma audiência muito menor do que a exigida pelo YouTube, eu conseguiria financiar minhas produções autorais.
Meus filmes, documentários, animações. Eu poderia, finalmente, viver das fantasias da minha cabeça.
A validação do modelo
Agora, com a plataforma no ar, o Prosa Fora volta a mostrar seu valor.
Eu acredito profundamente no poder de uma boa história. Acredito que, empacotada com boa fotografia e edição envolvente, as pessoas pagariam para assistir.
Por outro lado, a internet também mostrou que uma simples conversa tem seu valor.
Assim, tracei uma estratégia:
- Produzir documentários elaborados como produto principal
- Disponibilizar entrevistas completas como material extra
- Manter o espírito original do Prosa Fora
O Prosa Fora como ferramenta de pesquisa
Além disso, o Prosa Fora passa a ser uma ferramenta de pesquisa e um agente definidor sobre quais histórias merecem maior investimento de produção.
Foi assim com os ultramaratonistas. A conversa foi tão interessante que decidi acompanhá-los no percurso da Bulka, hoje um evento de corrida off-road da minha região. Infelizmente o projeto estagnou na edição por dificuldades técnicas.
Estratégia de redes sociais
As redes sociais não podem ficar de fora. É necessário gerar tráfego orgânico para a BIG LAGO.
Com conteúdo bem feito, esse processo tende a ser mais eficiente.
Assim, cortes dos documentários são publicados nos canais oficiais da BIG LAGO. Além disso, o conteúdo fragmentado é, de fato, a melhor forma de distribuição em plataformas onde a atenção também é fragmentada.
Essa foi a estratégia aplicada no documentário Vinícius Atleta, e que surtiu o efeito esperado.
O poder da micro influência
As pessoas que seguem o Vinícius estão inseridas no universo do cross training. Ele não possui um Instagram extremamente engajado, mas, dentro da comunidade, é conhecido.
Não apenas como atleta, mas também como organizador do Olimpo Games, uma competição de Cross da nossa região.
Portanto, é lógico supor que esse público teria interesse em um documentário do gênero.
Para uma página com zero seguidores e inativa há bastante tempo, o alcance foi expressivo. Isso resultou em diversos acessos à plataforma e algumas assinaturas.
Já é um bom começo, um empolgante começo!

