CURITIBA, SEXTA FEIRA: Saí para treinar em um dos muitos parques públicos da cidade e na volta me peguei pensando sobre o mercado cinematográfico. Minha cabeça funciona criando cenários, e desta vez o palco foi uma sala de aula apresentando a filosofia da BIGLAGO.
INT – FACULDADE DE CINEMA: SALA DE AULA – DIA
Estou encostado à mesa do professor bem a vontade e um aluno questiona a minha visão capitalista do cinema. Peço permissão ao professor para explicar. Prometo não tomar muito tempo. (Como a cena acontece em minha imaginação, o professor permite sem resmungos)
Muito bem. Para explicar bem a filosofia econômica da BIG LAGO eu preciso revisar alguns termos fundamentais de economia e cinema. E o mais importante é entender o que é Mercado.
No mundo, tudo tem uma determinada escassez. Uma finitude.
Quando eu exerço minha mão de obra em alguma matéria prima ou até mesmo compro de outra pessoa, eu passo a ter um Bem econômico em minhas mãos. Como ele é finito, existe uma determinada quantidade, ele se torna um Bem Escasso.
Vivemos em sociedade e isto significa que vocês também possuem bens escassos. Um bem que pode ser do meu interesse, e o que eu possuo pode ser do interesse de vocês também. Quando esses dois mundinhos se encontram ocorre a troca voluntária de bens escassos.
Quando essa troca de bens escassos se torna recorrente, surge então um mercado.
Ou seja, em uma frase curta e direta. Mercado é a troca voluntária desses bens escassos. E que bens escassos são esses? Tudo aquilo que eu possuo e o outro valoriza.
E então surge uma área de estudos econômicos, que pode causar calafrios em alguns dos meus colegas cineastas, que eu chamo de Mercadologia. A.K.A Marketing.
Ou seja, apesar de toda a paranoia que existe no nosso meio, o objeto de estudo do marketing é a simples troca voluntária desses bens escassos.
E o cinema, onde entra?
Um aluno certamente perguntaria.
Então vamos aplicar ao cinema. O que é uma obra audiovisual dentro dessa lógica de mercado? Uma experiência sensorial.
Por que? A experiência sensorial que sou capaz de lhe proporcionar é única. Por que eu sou único. Assim como vocês são únicos e assim por diante.
Sendo assim, se só eu tenho a capacidade de proporcionar uma experiência audiovisual do meu jeito, por que eu sou único, e que os espectadores desejam, passamos a ter aqui um mercado em potencial.
Mas uma vez que o mercado é a troca voluntária de bens escassos, qual o bem comum que eu poderia trocar pela minha experiência sensorial única?
Uma paçoca para quem adivinhar…
Exatamente, o dinheiro.
Por isto a BIG LAGO acredita na venda direta do conteúdo para o espectador.
Mas como desenvolver esta experiência sensorial única?
Outro aluno certamente questionaria.
Qual a melhor forma de alcançar essa experiência sensorial única como cineasta?
De duas formas relativamente simples… de explicar.
Um. Estudando tudo que se sabe sobre linguagem sensorial, no nosso caso, do audiovisual.
Dois. Condensando suas vivências em uma obra audiovisual.
Inclusive, antes de encontrar sua autenticidade, muitos realizadores produzem obras genéricas, apoiadas em linguagens já consolidadas pelo mercado. O que tem um valor crucial pois passa a fazer parte importante no processo de definição identitária.
É preciso começar de algum lugar, inclusive fazer dinheiro para que possa perseguir sua Autenticidade com mais tranquilidade.
Mercado não mata a autenticidade, ela o financia.
Um Rio de Nascentes culturais
É onde entra o distribuidor audiovisual, é ele quem fará a ponte entre o público que deseja a experiência audiovisual com quem possa proporcionar. A maior dificuldade é que ele ainda não sabe qual é essa experiência pela qual ele trocaria seu rico dinheiro.
Por isto a BIG LAGO é um grande fluxo alimentado por nascentes culturais.


