PARAGUAÇU PAULISTA, TERÇA-FEIRA – 16 DE JUNHO, 2026: Nos últimos meses tenho me aventurado no território da fotografia esportiva aqui no interior. A ideia surgiu tanto pela necessidade quanto pela praticidade. Como Cineasta Mochileiro, estou em busca de formas mais móveis de gerar renda, algo que possa acompanhar minhas viagens e ajudar a financiar os equipamentos que utilizo no caminho. A câmera que hoje carrego comigo, por exemplo, ainda está sendo paga.
Passei a trabalhar com plataformas especializadas na venda de fotografias esportivas, principalmente a FOTOP e a Foco Radical. A proposta parecia simples: fotografar os eventos, enviar as imagens para a plataforma e permitir que os próprios atletas encontrassem suas fotos, geralmente por meio de reconhecimento facial, adquirindo aquelas que mais gostassem.
Na teoria, parecia perfeito.
Na prática, nem tanto.

A frustração faz parte do processo
No último final de semana fotografei mais um evento esportivo. Até o momento em que escrevo este texto, não fiz nenhuma venda.
É decepcionante. Frustrante, inclusive.
Os jogos de basquete, especificamente, não têm valido a pena financeiramente para mim. O tempo investido, o deslocamento, a seleção das imagens e o tratamento posterior nem sempre resultam em retorno financeiro.
Existe um componente comercial que eu ainda estou tentando desenvolver.
O fotógrafo esportiva e o vendedor
Meu maior defeito, nesse contexto, talvez seja a dificuldade na abordagem com potenciais compradores.
Sempre imaginei que o processo ideal seria chegar ao evento, fazer meu trabalho com excelência, subir as fotografias na plataforma e voltar para casa tranquilo, vendo o dinheiro entrar na conta automaticamente.
Mas as coisas raramente funcionam dessa forma.
Existe uma diferença entre produzir algo de qualidade e conseguir vendê-lo. E, embora eu admire profundamente a dimensão artística e documental da fotografia, estou percebendo que será preciso desenvolver um pouco mais desse espírito comercial se quiser sustentar minhas viagens e continuar produzindo.

O risco de transformar paixões em profissão
Essa não é a primeira vez que passo por isso.
Anos atrás, fiz exatamente o mesmo movimento com a animação 3D. O que começou como uma válvula de escape, ainda na época da escola, transformou-se em profissão. Fiz faculdade sonhando em trabalhar com a produção de filmes de animação, inspirado pelos grandes estúdios de entretenimento.
Mas, no mercado real, a publicidade costuma ser o caminho mais acessível para quem está começando.
Consegui trabalhar com clientes nacionais e internacionais. Ganhei dinheiro com isso. Não o suficiente. E, ao longo do processo, percebi que havia perdido parte do encantamento que sentia pela própria animação.
Um pouco pelas características do mercado, um pouco pelas expectativas que eu mesmo criei.
Espero recuperar esse brilho um dia. Ainda admiro profundamente essa arte e continuo acreditando no valor do trabalho digital artesanal.

A fotografia como reencontro
A fotografia entrou novamente na minha vida em um momento em que eu precisava me reconectar comigo mesmo.
Houve um período em que me desconectei de praticamente tudo. Inclusive da fotografia. Vendi minha antiga Nikon D7200 e fiquei quase dois anos sem uma câmera profissional nas mãos.
Foi durante meu mochilão pelo Sul do Brasil que comecei a reencontrar esse olhar.
Sem grandes compromissos, passei a registrar paisagens, pessoas e pequenas histórias do cotidiano. Continuava produzindo pela ALUF Pictures, mas aqueles vídeos deixaram de ser apenas produtos audiovisuais. Tornaram-se recordações de viagem.
Mais tarde, deram origem ao projeto Cineasta Mochileiro.
E é esse caminho que pretendo continuar seguindo nas próximas jornadas.

Nem todos os esportes são iguais
Ao longo dos últimos dois meses, venho cobrindo diferentes modalidades esportivas aqui na região.
No Crosstreino, os resultados financeiros foram bastante positivos. Talvez porque eu tenha vivido intensamente aquele ambiente durante dois anos da minha vida. Conheço a dinâmica, as pessoas e consigo antecipar os momentos importantes da competição.
Já nas corridas de rua e, principalmente, no basquete, tenho enfrentado mais dificuldades.
Isso me ensinou algo importante: não basta gostar de fotografar. É preciso entender profundamente a comunidade que está sendo documentada.
As fotografias que vendem não são necessariamente as tecnicamente mais sofisticadas. Muitas vezes, são aquelas que carregam significado emocional para quem participou daquele momento.
Documentar continua sendo meu impulso
Quando estou fotografando um evento esportivo, entro automaticamente no meu modo documentarista.
Não estou apenas procurando a imagem mais bonita.
Procuro a fotografia que conte a história daquele embate. O olhar concentrado antes da prova. A comemoração inesperada. O cansaço estampado no rosto após o apito final.
Talvez esse seja o motivo pelo qual continuo insistindo.
No fundo, meu interesse nunca foi apenas comercial.
Sempre acreditei que registrar pessoas em seus momentos de esforço, celebração e superação possui um valor que vai além do financeiro.

O dinheiro também precisa entrar
Ao mesmo tempo, preciso lidar com uma realidade bastante objetiva: contas precisam ser pagas.
Continuo atendendo clientes pela ALUF Pictures, embora em menor intensidade do que antes, especialmente por minhas próprias escolhas profissionais e pelo desejo de preservar uma abordagem mais artesanal dentro do audiovisual.
A fotografia esportiva surgiu justamente como uma alternativa mais flexível de geração de renda, compatível com o estilo de vida que venho construindo.
Ainda estou aprendendo.
Aprendendo sobre mercado. vendas. expectativas. Sobre as diferenças entre paixão e profissão.
E talvez essa seja a principal lição de toda essa experiência.
Seguir em frente
No próximo mês volto para a estrada.
Novos destinos, novas histórias e, provavelmente, novas tentativas de descobrir maneiras sustentáveis de financiar essa jornada como Cineasta Mochileiro.
Não sei se a fotografia esportiva se tornará uma fonte consistente de renda para mim. Talvez sim. Talvez não.
Mas, independentemente do resultado financeiro, ela já me ensinou algo valioso.
Viver de arte exige sensibilidade para criar, disciplina para persistir e humildade para reconhecer que ainda há muito a aprender.
Inclusive sobre vendas.


